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Tecnologias de apoio à Mobilidade

As tecnologias de apoio à mobilidade baseiam-se em produtos de apoio que permitem a deslocação (preferencialmente autónoma) de uma pessoa em todos os contextos físicos em que se pretenda mover. O exemplo mais paradigmático é a cadeira de rodas. Descrevem-se, em seguida, alguns exemplos específicos de produtos de apoio à mobilidade.

CADEIRAS DE RODAS
O desenvolvimento das cadeiras de rodas ao longo dos séculos foi influenciado pela evolução dos materiais, técnicas de fabricação e tendências de design. No século XVIII, essas cadeiras eram feitas de madeira e vime, refletindo o estilo de móveis da época e eram amplamente aceitas socialmente.

No século XIX, pessoas de recursos usavam "cadeiras de banho" com rodas para se deslocarem. Em 1932, a empresa Everest & Jennings introduziu a primeira cadeira de rodas de estrutura tubular de aço, avançando em robustez e portabilidade. Porém, a partir da segunda metade do século XX, as cadeiras de rodas deixaram de acompanhar as tendências de design de móveis devido a uma mudança na perceção predominante, passando a ser vistas principalmente como dispositivos médicos de apoio.

Características técnicas essenciais incluem peso e posição do centro de massa, afetando a manobrabilidade e a estabilidade. O assento é crucial para o conforto e prevenção de escaras. Dependendo da atividade planejada, há opções como cadeiras esportivas e pediátricas, sendo as cadeiras manuais adequadas para trajetos curtos e pessoas com mobilidade nos membros superiores, enquanto as elétricas permitem a locomoção autônoma para aqueles com deficiência motora nos membros superiores, mas são mais pesadas. Essas mudanças na perceção são refletidas no símbolo internacional de pessoas com deficiência, retratando alguém em uma cadeira de rodas.

CADEIRAS DE TRASPORTE
Designam-se por cadeiras de transporte os dispositivos de transporte de uma criança ou jovem com deficiência e as cadeiras fixas para acomodar pessoas com deficiência num veículo ou num dado local fixo (e.g., escola, à mesa, etc.). Podem ser dotadas de vários tipos de acessórios para apoio ao posicionamento adequado de utilizadores com dificuldades no controlo do tronco e/ou da cabeça. Podem também possuir tiras adutoras ou abdutoras para manter os membros inferiores mais juntos ou mais afastados, respetivamente.

ELEVADORES DE TRANSFERÊNCIA
Os elevadores de transferência permitem transferir uma pessoa com mobilidade reduzida de um local para outro (de uma cadeira de rodas para uma cama ou para uma piscina, por exemplo). Estes elevadores são constituídos, usualmente, por sistemas hidráulicos ou elétricos acoplados a sistemas de suporte da pessoa. Os sistemas de suporte podem ser fundas, existindo diferentes modelos de fundas para se adaptarem a diferentes patologias e utilizações, ou suportes rígidos.

ACESSO A EDIFÍCIOS
O produto de apoio mais utilizado para permitir o acesso a edifícios, em particular para vencer desníveis, é a rampa de acesso. Estas rampas permitem reduzir as exigências colocadas pelo ambiente à pessoa. Devem ser construídas num material adequado ao local em que são instaladas (por exemplo, deverão ser perfuradas se estiverem num local em que neva com frequência). Muitas vezes, vêem-se rampas apoiadas sobre os degraus de uma escada, o que lhes confere uma inclinação demasiado elevada: 17/29 = 58,6%, considerando degraus com dimensões padrão. A inclinação máxima destas rampas deve ser de 6%,. Significa isso que, para vencer um desnível de 60 cm, o equivalente a aproximadamente três degraus típicos, a rampa ocupará um comprimento de 10 m no solo.

Outra solução é o uso de um sistema de lagartas que se apoia sobre, pelo menos, três degraus, e sobe a escada transportando uma cadeira de rodas. A principal vantagem destes sistemas de lagartas é o facto de não ser necessária qualquer adaptação do meio físico. Por exemplo, num edifício histórico, não é necessário alterar a sua arquitetura exterior para vencer uma escadaria à entrada. A principal desvantagem é a necessidade do auxílio de uma pessoa com formação para a utilização destes equipamentos não possibilitando, assim, o acesso autónomo às escadas.

ACESSO A VEÍCULOS
Uma dificuldade muitas vezes sentida por quem se desloca em cadeira de rodas e possui um veículo adaptado é a transição entre a cadeira de rodas e o veículo – como e onde se coloca a cadeira de rodas quando se entra no veículo e como recuperá-la quando se sai? Uma solução adequada para veículos grandes é a utilização de rampas ou plataformas elevatórias para acesso da cadeira de rodas ao interior do veículo. Estas soluções permitem também a transferência de cadeiras de rodas mais pesadas (e.g., elétricas) de e para uma viatura. Para veículos pequenos poderá recorrer-se a sistemas de transferência que permitem também guardar a cadeira no interior (ou exterior) do veículo.


PRODUTOS DE APOIO À MOBILIDADE PARA PESSOAS COM CEGUEIRA
As barreiras à mobilidade são sentidas de forma muito particular por pessoas cegas. Estas recorrem aos outros sentidos para obterem informação sobre o ambiente em que se encontram (por exemplo, cheiro, som, correntes de ar, temperatura, textura das superfícies).
O produto de apoio mais comum para auxiliar a mobilidade de pessoas cegas é a bengala. Esta transmite ao seu utilizador informação sobre o ambiente de forma auditiva e táctil. São normalmente dobráveis ou telescópicas para se poderem arrumar num bolso quando não são necessárias, e fabricadas em materiais compósitos (e.g., fibra de carbono), conferindo-lhes alguma rigidez mas a flexibilidade adequada para a transmissão de informação da textura do objeto. São baratas e fáceis de usar, mas têm como principais desvantagens o pequeno alcance (normalmente o utilizador move a bengala num arco situado um passo à frente de onde está) e o facto de apenas detetarem obstáculos abaixo do nível da cintura. Existem no mercado produtos de apoio à mobilidade eletrónicos que detetam obstáculos usando sensores de ultrassons ou usando luz no espetro do infravermelho e transmitem a informação ao utilizador de forma táctil (vibrações) ou audível.

EXOSQUELETO
Exosqueletos são dispositivos robóticos que envolvem a pessoa e que têm por objetivo aumentar as capacidades dessa pessoa. Por exemplo, possibilitar o transporte de pesos consideráveis com um esforço mínimo. Na área da Reabilitação tem sido investigada a utilização de exosqueletos para devolver a marcha a pessoas paraplégicas, existindo já produtos no mercado.
Estes sistemas robóticos suportam o peso da pessoa e são capazes de calcular cada passo com base num conjunto de dados dos seus sensores. O utilizador tem apenas de ser capaz de equilibrar a parte superior do corpo durante a marcha.

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